segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Shopping devolve lojas às ruas

Apesar das previsões pessimistas, o comércio de rua não sucumbiu diante do crescimento dos shoppings. Sobretudo no Rio, as lojas que ficam de frente para as calçadas dão sinais de novo vigor. Polos comerciais tradicionais, como o de Madureira, Campo Grande e Bangu, vêm crescendo para ruas adjacentes. Atentas a essa movimentação, as grandes redes investem nesses pontos e já lamentam a falta de espaços comerciais disponíveis.

Um dos principais motivos para a grande vitalidade das lojas de rua é o custo menor em relação aos shoppings. Segundo Daniel Plá, diretor da Associação Comercial do Rio e professor de marketing de varejo, nos centros comerciais o empresário despende três vezes mais para manter o negócio. A falta de rentabilidade ou o prejuízo levaram ao fechamento de 300 estabelecimentos no Rio só no ano passado no ambiente refrigerado dos chamados “templos do consumo”.

“Muitas famílias se arruinaram porque apostaram todo o patrimônio transferindo suas lojas da rua para os shoppings. São situações lamentáveis”, afirma Plá. No Rio, um fator a mais favorece a vida dos empresários que continuaram apostando na rua: o hábito de caminhar pela cidade é um estímulo ao consumo. “O carioca é mais voltado para o ar livre”, explica o presidente do Clube dos Diretores Lojistas do Rio, Aldo Gonçalves.

O grande fluxo de pessoas é também o trunfo do tradicional comércio popular de Madureira, que vem aumentando o número de lojas. Segundo a Associação Comercial do lugar, enquanto que há três anos havia 4.300 lojas no bairro, hoje chegam a 5 mil. “Além de ser o cruzamento de duas linhas de trem, Madureira concentra agências bancárias pagadoras”, afirma o presidente da associação, Felipe Morgensztern, que também aponta melhorias no policiamento, como fator de recuperação.

Crescimento da classe C dá maior impulso

Lojistas de rua cujo negócio é voltado para a classe C têm mais motivos para comemorar. O crescimento desse seguimento (com renda em torno de R$ 1.200) nos últimos anos foi um prato cheio para as lojas especializadas. Em Bangu, a Associação Comercial aponta incremento de 30% nas lojas de rua nos últimos quatro anos. O calçadão ficou pequeno. “A melhoria no poder aquisitivo e nas condições de crédito são fatores positivos”, afirma o presidente da associação, Wagner Ferreira.

Em Campo Grande, onde estima-se que 250 mil pessoas circulem por dia, o comércio também já extrapola o tradicional calçadão. A Associação Comercial local quer instalar cobertura e câmeras.

“Antigamente no Calçadão de Bangu era só camelô”

“Sempre morei em Bangu, mas não costumava vir nas lojas de rua. Antigamente no Calçadão de Bangu era só camelô. Se não fosse tão tranquilo, não traria meu filho pequeno. Pelo menos, nunca fui assaltada. Acho que a variedade aumentou bastante. Mas eu não deixo de pesquisar. Eu também vou a Campo Grande, quando preciso comprar roupa, e só levo o que estiver mais em conta.”
Fonte: O Dia Online

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